quinta-feira, 16 de agosto de 2012

ENCONTRO UNITÁRIO DOS POVOS DO CAMPO: UM ENCONTRO HISTÓRICO DE CAMPONESES

Reproduzimos abaixo editorial publicado pelo jornal Brasil de Fato, a respeito do Encontro Unitário dos Povos do Campo, evento fundamental para a unidade das lutas das populações do campo em nosso país.


Entre os dias 20 e 22 de agosto, no Parque da Cidade em Brasília (DF), se realiza um encontro nacional de todos os movimentos sociais e entidades que atuam no meio rural brasileiro. Lá estarão os representantes do movimento sindical como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), dos movimentos sociais do campo vinculados a Via Campesina Brasil como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). 

Estarão também os movimentos de pescadores e pescadoras artesanais do Brasil e representantes das centenas de agrupamentos quilombolas esparramados pelo país. 

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também marcarão presença com a questão indígena. As pastorais sociais que atuam no meio rural, como Comissão Pastoral da Terra (CPT), Cáritas, Pastoral da Juventude etc, e também dezenas de outros movimentos regionalizados ou de nível estadual se farão presentes.

Assim, será portanto, um encontro unitário, plural e expressivo de todas as formas de organização e representação que existem hoje no meio rural brasileiro, abrangendo desde os assalariados rurais, camponeses, pequenos agricultores familiares, posseiros, ribeirinhos, quilombolas, pescadores e povos indígenas. Todos unidos, independente da corrente política ou ideológica a que se identificam.

Esse encontro será histórico, porque que na trajetória dos movimentos sociais do campo essa unidade somente havia ocorrido uma vez, em novembro de 1961, quando se realizou em Belo Horizonte (MG) o I Congresso Camponês do Brasil. Naquela ocasião também se unificaram todos os movimentos, de todas as correntes políticas-ideológicas, desde o PCB, PSB, esquerda cristã, PTB, brizolistas e esquerda radical. 

A unidade foi necessária, apesar da diversidade, para cerrar fi leiras contra a direita e dar força ao novo governo popular de João Goulart para assumir a bandeira da reforma agrária e elaborar uma lei inédita de reforma agrária para o país. Daí que o lema resultante dos debates e que iria orientar a ação prática dos movimentos foi “Reforma agrária: na lei ou na marra!”

Passaram-se 50 anos para que, mais uma vez, todas as formas de organização da população que vive no campo viessem a se reencontrar. E agora com uma representação ainda maior, acrescida dos quilombolas, pescadores e povos indígenas, que na época nem se reconheciam como formas organizativas de nosso povo.

E por que foi possível realizar esse encontro? Por várias razões. Primeiro, porque o capital está em ofensiva no campo. Sob a hegemonia do capital financeiro e das empresas transnacionais está impondo um novo padrão de produção, exploração e espoliação da natureza: o agronegócio. E o agronegócio construiu uma unidade, uma aliança do capital, aglutinando o capital financeiro, as corporações transnacionais, a mídia burguesa e os grandes proprietários de terra. E essa aliança representa hoje os inimigos comuns para toda a população que vive no meio rural, e que depende da agricultura, da natureza, da pesca, para sobreviver.

Em segundo lugar, porque estamos assistindo à subserviência do Estado brasileiro, em suas várias articulações a esse projeto. O poder Judiciário, as leis e o Congresso Nacional operam apenas em seu favor.

Em terceiro lugar, estamos assistindo a um governo federal dividido. Um governo de composição de forças, que mescla diversos interesses, mas que o agronegócio possui maior influência, seja nos ministérios seja nos programas de governo.

Em quarto lugar, percebeu-se que essa forma de exploração e de produção do agronegócio está colocando em risco o meio ambiente, a natureza e a saúde da população, com o uso intensivo de agrotóxicos, que matam. Matam a biodiversidade vegetal e animal e matam indiretamente os seres humanos, com a proliferação de enfermidades, em especial o câncer, como têm denunciado os cientistas da área de saúde.

Em quinto lugar, porque o país precisa de um projeto de desenvolvimento nacional, que atenda aos interesses do povo brasileiro e não apenas do lucro das empresas. Nesse projeto, a democratização da propriedade da terra e a forma como devemos organizar a produção dos alimentos é fundamental.

Em sexto lugar, é necessário que se reoriente as políticas públicas, de forma prioritária para preservar o meio ambiente, produzir alimentos saudáveis com garantia de mercado, e garantia de renda e emprego para toda a população que mora no interior.

Em sétimo lugar, é necessária colocar na pauta prioritária dos movimentos sociais do campo a democratização do acesso à educação, em todos os níveis. Desde um programa massivo de alfabetização, que tire da escuridão os 14 milhões de adultos brasileiros que ainda não sabem ler e escrever, até garantir o acesso ao ensino médio e superior aos mais de 3 milhões de jovens que vivem no meio rural.

Tudo isso será debatido durante os três dias do Encontro Nacional de Trabalhadores Rurais.

Esperamos que o resultado seja a construção de uma unidade programática, em torno de pontos comuns, para enfrentar os mesmos inimigos, como também se possa avançar para construir uma agenda de lutas e mobilização unitária para 2013.

Salve o II encontro nacional de todos os trabalhadores e populações que vivem no interior do Brasil!


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Seleção de bolsistas para trabalho em pesquisa sobre EJA

O Grupo TRAMSE está selecionando um bolsista para participar de uma pesquisa sobre a realidade da EJA em uma escola pública de Natal. A bolsa é de iniciação científica e a pesquisa será coordenada pelo prof. Alessandro Augusto de Azevêdo.
Maiores informações no Edital que pode ser baixado clicando-se no atalho abaixo:

Edital de Seleção de bolsista de Iniciação Científica

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Os conflitos inacabáveis na Fazenda Cedro, no Pará

Transcrevemos abaixo nota conjunta assinada pelo CPT e MST do Pará, sobre os conflitos na Fazenda Cedro.

"O conflito ocorrido no final da semana passada na fazenda Cedro, envolvendo famílias ligadas ao MST onde 15 pessoas (entre elas uma criança de 2 anos) foram feridas à bala por “seguranças” do grupo Santa Bárbara do Banqueiro Daniel Dantas, poderá se estender para outros acampamentos do movimento caso o INCRA nacional não dê resposta positiva à pauta apresentada na sexta feira à Ouvidoria Agrária e Superintendência de Marabá. 
O MST possui 5 acampamentos nas regiões sul e sudeste do Pará onde estão acampadas 1.300 famílias. Para solucionar os conflitos e assentar as famílias o INCRA precisa enfrentar com os três grupos mais poderosos da região: a VALE, a Agropecuária Santa Bárbara e o grupo Quagliato. Os acampamentos do MST em área de interesse da VALE e do grupo Quagliato poderão seguir o mesmo exemplo adotado em relação ao grupo Santa Bárbara no último final de semana. Essas famílias também aguardam o cumprimento de acordos não cumpridos entre o INCRA e os referidos grupos econômicos para a liberação de fazendas para assentamentos rurais.
Nos últimos dois anos, o Movimento manteve as famílias acampadas e participou de mais de uma dezena de audiências na Vara Agrária e com a Ouvidoria Agrária Nacional, cumprindo com sua parte nos acordos. Durante todo esse tempo, o grupo do banqueiro Dantas vem, cada vez mais, expandindo suas propriedades na região a custa de desvio do dinheiro público contando com a conivência do INCRA e da Justiça. Além disso, foi o Grupo que não cumpriu com os acordos firmados e na última reunião não compareceu, mostrando descaso. Por isso, o MST não voltará atrás em relação aos imóveis do grupo Santa Bárbara e não se retirará mais da Fazenda Cedro.
O caso da Fazenda Cedro é um exemplo desse desmando, 90% da floresta da propriedade foi derrubada. O antigo castanhal existente ali foi totalmente destruído. Calcula-se que metade de seus 10 mil hectares sejam constituídos de terras públicas, mas, até agora o INCRA retomou apenas 900 hectares. A fazenda foi embargada pelo Ministério Público Federal por crime ambiental, mas a Justiça, atendendo ao pedido do grupo do banqueiro, determinou o desembargo. Durante todo esse tempo e frente a tantas ilegalidades, o INCRA sequer fez um estudo sobre a situação da área. Além disso, a Agropecuária Santa Bárbara tem várias ações e processos referentes à trabalho escravo, desmatamento, uso intensivo de agrotóxicos (com pulverização aérea), grilagem de terra e violência contra trabalhadores e trabalhadoras na região.
As famílias do MST que estão acampadas em áreas públicas griladas pelo grupo sentem intimidação e violência permanentemente. Nos últimos três anos, apenas na região sudeste, a escolta armada “Atalaia” - pistoleiros autorizados pelo Estado, travestidos de segurança, já feriu à bala 38 trabalhadores rurais sem terra e assassinou um jovem trabalhador (Wagner). Com frequência, rondam os acampamentos, atiram pela noite, ameaçam os trabalhadores quando estão plantando suas roças, sobrevoam constantemente os acampamentos intimidando e promovendo violência psicológica nas famílias que lutam pelo justo direito à terra. Nenhum “segurança” foi preso ou punido por esses crimes.
Por essas e por outras razões é que não esperaremos mais e não daremos mais um passo atrás sobre a Fazenda Cedro e as demais fazendas onde as 1.300 famílias do MST terão que ser assentadas. Não aceitaremos despejos em nossas áreas, intimidações e prisões, bem como a criminalização das lideranças e do movimento."

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Alterações no cronograma de aulas do Curso Pedagogia da Terra


Olá colegas,
 tivemos algumas modificações no cronograma das disciplinas do Curso Pedagogia da Terra, em razão da disponibilidade dos horários dos professores. Segue abaixo o calendário com as alterações.

Abraços a todos(as).


1.   Junho, 11 a 15

Educação Infantil (24M1234), Profª Soraneide Soares.
Educação, Ética e pluralidade cultural (23456N1234) (6M1234), Profª Juliana Vilar de França Manguinho.
Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) (23456T1234), Profs. Heloisa Lima Perales e Pedro Luiz dos Santos Filho.

2.   Junho, 25 a 28

Educação Infantil (2345M1234), Profª Soraneide Soares.
Educação, Ética e pluralidade cultural (2345N1234), Profª Juliana Vilar de França Manguinho.
Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) (2345T1234), Profs. Heloisa Lima Perales e Pedro Luiz dos Santos Filho.

3.   Julho, 09 a 13

Educação Infantil (2346M1234), Profª Soraneide Soares.

Trabalho de Conclusão de Curso (prática) (345T123), Docentes/Orientadores e Discentes.
Trabalho de Conclusão de Curso  - Seminário TCC (35N123), Docentes/Orientadores e Discentes

4.   Agosto, 06 a 10

Congresso de Encerramento (23456MT1234)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Despejo da Escola Familiar Agrícola de Itaobim-MG

Segue Nota de repúdio do João Batista Begnami – Assessor da UNEFAB (União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil.

Belo Horizonte, 23 de fevereiro de 2012.

Nota de repúdio contra Despejo da EFA Bontempo em Itaobim/MG.

Comunicamos à imprensa e à sociedade em geral que hoje, 23 de fevereiro de 2012, segundo o Diretor Ricardo Vital, um oficial de justiça apareceu na sede da Escola Família Agrícola Bontempo, situada em Itaobim, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais para comunicar o mandado de reintegração de posse dos prédios onde a referida EFA funciona a mais de 10 anos. Não bastasse os dados estarrecedores da situação da educação da juventude rural no Brasil que não vem ao caso comentar agora, é lamentável tal episódio. É sabido que a EFA Bontempo surge da necessidade dos trabalhadores resolverem o problema da educação de seus filhos com uma escola diferenciada, contextualizada em sua realidade. A EFA Bontempo foi construída pelos trabalhadores rurais num terreno doado em comodato por tempo indeterminado pela Fundação Brasileira de Desenvolvimento, cujo presidente é o padre católico, Sr Felici Bontempi. Ele e sua fundação reivindicam o terreno e os prédios construídos ali pela Associação gestora da EFA, AEFAMBAJE. São 200 jovens matriculados cursando 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio e Profissional Técnico em Agropecuária. A luta na justiça vem se protelando há mais de 5 anos. Em todo este tempo a EFA Bontempo buscou saídas através do diálogo apelando para as autoridades que ajudassem a encontrar alternativas para que seus alunos não sofressem prejuízos com o despejo: audiência pública na Assembléia Legislativa em 2010, tentativas de conciliação no STJ de Minas Gerais e no Fórum de Medina. Os trabalhadores responsáveis por este projeto já afirmaram que “dali não saem”. Esperamos que providências seja tomadas para evitar conflitos maiores. Não seria o momento de o Estado tomar uma atitude e desapropriar aquela área para fins sociais, uma vez que a Prefeitura local não atendeu a mais este apelo dos trabalhadores?

Abaixo assinado

João Batista Begnami – Assessor da UNEFAB

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

CHAMADA PÚBLICA PARA SELEÇÃO DE MONITORES - PEDAGOGIA DA TERRA/UFRN

Grupo de Pesquisa Dialogicidade, Educação de Jovens e Adultos e Práticas Culturais



1. Objetivos do Grupo
Realizar estudos sobre os sujeitos do campo e da reforma agrária no Rio Grande do Norte e no Brasil, suas relações com a educação, seus processos de organização política, social e de trabalho; e desenvolver projetos acadêmicos em articulação dialógica com esses sujeitos, na perspectiva da afirmação de direitos, ampliação de horizontes socioculturais e melhoria das condições de vida nas comunidades onde vivem.

2. Das vagas
Encontrase disponível 2 (duas) bolsas para estudantes de Pedagogia Licenciaturas das áreas de Humanas, para a participação em atividades de pesquisa e extensão nos temas de interesse acadêmico do Grupo.

3. Da inscrição
As inscrições devem ser feitas na Sala 26 do Centro de Educação do Campus Central da UFRN, até 16 de março de 2012.

1. Dos documentos exigidos
Os documentos necessários à inscrição são os seguintes:

• Histórico da graduação atualizado;
• Currículo vitae.


2. Condições de participação na Seleção

1. Estar inscrito no cadastro único de bolsistas da UFRN, conforme Resolução 169/2008 CONSEPE, de 2 de dezembro de 2008;
2. Estar cursando entre o 5º. e o 7º. Período;
3. Análise do Currículo Vitae;
4. Análise do Histórico Universitário;
5. Não ter vínculo empregatício;
6. Identificação e apropriação mínima da temática que é objeto das preocupações acadêmicas do Grupo;
7. Disponibilidade de viajar durante fins de semana a assentamentos rurais;
8. Disponibilidade de tempo (20h semanais) para estudos e planejamento de atividades durante a semana;
9. Não estar matriculado em outro curso em outra área ou outra instituição.

3. Do processo seletivo

PERÍODO/AÇÃO

Até 16 de março
- Recebimento das inscrições e de documentação pelos candidatos.

De 19 a 23 de março
- Análise da documentação dos candidatos.

26 de março
- Divulgação da lista de candidatos selecionados para entrevista

27 de março
- Entrevistas com candidatos

30 de março
- Divulgação do resultado das entrevistas com a publicação dos candidatos selecionados como bolsistas

4. Dos resultados

O resultado será divulgado pela Coordenação do Grupo TRAMSE através do seu blog (http://tramseufrn.blogspot.com) e estará à disposição dos interessados na sala 26 do Centro de Educação da UFRN.


Natal-RN, 28 de fevereiro de 2012.
"Nosso destino não está garantido. A terra não suporta o infinito de produção para atender o infinito da carência humana. O ser humano é um ser de carência, o desejo humano é infinito" (Leonardo Boff)